Capela e Índice de Progresso Social
IPS Brasil 2026
Os dados não mentem. Capela ocupa a 62ª posição entre os 75 municípios sergipanos no Índice de Progresso Social (IPS Brasil), um retrato duro de uma cidade que arrecada mais do que muitas vizinhas, mas fracassa em transformar recursos em qualidade de vida. O problema não é a falta de dinheiro; é a ausência de prioridade, planejamento e compromisso com a população. Enquanto municípios menores avançam, Capela permanece atolada em indicadores vergonhosos.
A educação pública municipal, que deveria ser a principal ferramenta de transformação social, agoniza diante da omissão administrativa. Os baixos índices de aprendizagem, a distorção idade-série e a evasão escolar revelam uma geração abandonada pelo poder público. Falta investimento real nas escolas, valorização dos professores e políticas permanentes de acompanhamento dos alunos. O resultado é uma juventude empurrada para o subemprego, para a exclusão e para a falta de perspectivas.
Na segurança pública, os números expõem uma cidade vulnerável e sem estratégia social preventiva. Ruas escuras, ausência de políticas voltadas à juventude e abandono das periferias criam um ambiente propício ao crescimento da violência. O município parece assistir passivamente ao aumento do medo e da insegurança, sem apresentar respostas concretas capazes de proteger a população mais pobre e vulnerável.
A saúde pública também revela o retrato da desorganização. A precariedade da atenção básica, a falta de continuidade administrativa e a deficiência no atendimento demonstram que o cidadão capelense recebe muito menos do que deveria diante da arrecadação municipal. Quando faltam prevenção, estrutura e gestão eficiente, quem paga a conta é a população, sobretudo aqueles que dependem exclusivamente do SUS para sobreviver.
Capela não é pobre de recursos; tornou-se pobre de resultados. E isso tem nome: inoperância administrativa. O IPS Brasil apenas confirmou, em números, aquilo que a população sente diariamente nas escolas, nos postos de saúde, nas ruas e nos povoados esquecidos. Os dados não mentem. Mentira seria continuar vendendo a ilusão de progresso enquanto a cidade afunda silenciosamente nos piores indicadores sociais de Sergipe.
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