segunda-feira, julho 27, 2026

O PREFEITO DE CAPELA JÚNIOR TOURINHO ENTRA PARA A HISTÓRIA: DISTRÓI IDENTIDADE DE SEU POVO

Obras na Praça Adroaldo Campos dividem moradores e levantam debate sobre preservação em Capela

As novas intervenções promovidas pela Prefeitura de Capela na Praça Adroaldo Campos voltaram a colocar em discussão os limites entre a expansão dos equipamentos públicos e a preservação do patrimônio histórico e urbanístico do município. Após a implantação da unidade do programa TeAcolhe, a administração municipal iniciou a construção de um espaço cultural no interior da praça, decisão que vem sendo contestada por moradores, pesquisadores e representantes de instituições culturais, que afirmam não terem sido consultados antes da execução das obras.

O principal questionamento não se restringe às edificações em si, mas ao local escolhido para recebê-las. Considerada o coração histórico de Capela, a Praça Adroaldo Campos abriga a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação e constitui um dos mais importantes conjuntos urbanos do município. Desde os tempos da escravidão, o espaço acompanha a formação da cidade e tornou-se palco de importantes celebrações religiosas, manifestações culturais, encontros populares e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade capelense.

Entre os críticos das intervenções está o ex-vereador e professor Jorgival Santos, morador das imediações do histórico logradouro. Ele afirma que sua posição contrária às construções na praça não é recente. Segundo relata, desde o anúncio da primeira obra foram apresentadas manifestações ao Ministério Público, em conjunto com a Associação Ecológica de Capela. Também, segundo ele, a Academia Capelense de Letras e Artes encaminhou ofícios à Prefeitura e à Câmara Municipal solicitando a revisão do projeto. “As manifestações aconteceram, mas as obras seguiram normalmente. Agora vemos uma nova construção ocupar um espaço que pertence à memória da cidade”, afirma.

Na avaliação do ex-parlamentar, o município perde, gradativamente, uma de suas principais referências urbanísticas. “As cidades modernas procuram preservar seus espaços históricos e direcionar novos equipamentos para áreas de expansão. Em Capela acontece o inverso. A praça vai sendo ocupada por construções permanentes, reduzindo um espaço que sempre pertenceu à população. A descaracterização ocorre aos poucos, e talvez as futuras gerações nem conheçam a dimensão original desse patrimônio”, observa.

Outro ponto levantado pelos críticos é a ausência de diálogo com a sociedade. Moradores e representantes do setor cultural afirmam que projetos capazes de alterar um dos principais cartões-postais do município deveriam ser debatidos em audiências públicas e submetidos à apreciação de órgãos ligados à preservação do patrimônio histórico e cultural. Segundo eles, decisões dessa natureza exigem transparência e participação popular, sobretudo quando envolvem um espaço que representa a memória coletiva da cidade.

Especialistas em planejamento urbano costumam defender que o crescimento das cidades deve buscar equilíbrio entre funcionalidade e preservação. A implantação de novos equipamentos públicos é considerada necessária, mas, em áreas de reconhecido valor histórico, intervenções costumam ser precedidas por estudos de impacto urbanístico e patrimonial, justamente para evitar a perda das características originais dos espaços.

Enquanto as obras avançam, cresce também o debate sobre qual cidade Capela pretende deixar para as próximas gerações. De um lado, a administração municipal aposta na ampliação da oferta de serviços públicos. Do outro, moradores e entidades culturais alertam que desenvolvimento não precisa significar a ocupação dos últimos espaços livres da principal praça da cidade. Para eles, preservar a Praça Adroaldo Campos é preservar a própria história de Capela.

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