quinta-feira, julho 02, 2026

PRAÇA DO AMPARO AGREDIDA, DESCARACTERIZADA

APAGAMENTO DA MEMÓRIA, DESCARACTERIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO E AUSÊNCIA DE PLANEJAMENTO

Capela já dispõe de um espaço que reúne todas as condições para abrigar um Memorial ou Centro de Memória: o antigo Cine Capela, um prédio histórico que marcou gerações e que hoje permanece subutilizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social. É ali que deveria estar preservada, pesquisada e difundida a história de um povo que ocupa estas terras desde 1737.

Em vez de recuperar e dar uma destinação compatível ao patrimônio histórico existente, o prefeito Júnior Tourinho, com o apoio do Governo de Sergipe, anuncia a implantação de um centro cultural na Praça Adroaldo Campos, promovendo uma intervenção que descaracteriza um dos cenários urbanos mais simbólicos da cidade e aprofunda um preocupante processo de apagamento da memória coletiva.

Uma gestão comprometida com a cultura não destrói referências históricas para criar novos equipamentos. Ao contrário, recupera, preserva e reutiliza os bens que contam a trajetória do município. Isso é planejamento. Isso é respeito à identidade de um povo.

Infelizmente, a atual administração demonstra pouca disposição para dialogar com a sociedade, ouvir especialistas e construir soluções que conciliem desenvolvimento com preservação do patrimônio histórico. O resultado é uma cidade que perde, aos poucos, parte de sua identidade.

E, justamente quando a memória de Capela é colocada em segundo plano, o município vive também um momento decisivo em sua história política.

No próximo dia 14 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE) julgará o processo que pode resultar na cassação do mandato do prefeito Júnior Tourinho. O relator já proferiu voto pela cassação e pela perda imediata do mandato, entendimento que ainda será submetido à apreciação dos demais membros da Corte.

Seja qual for o desfecho do julgamento, a data convida à reflexão sobre os rumos de Capela. Não apenas quanto ao futuro político do município, mas também quanto ao compromisso de seus gestores com a legalidade, o planejamento, a preservação da memória e o respeito à identidade do povo capelense.

No dia 14 de julho, teremos motivos para celebrar a nossa história ou para lamentar mais um capítulo de um período marcado por decisões que dividiram a cidade?

A decisão jurídica caberá ao TRE. O julgamento da história caberá ao povo de Capela.

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