Quando o silêncio fala mais alto
Pesquisa avaliou o engajamento digital de 29 políticos sergipanos, revelou o deputado estadual Cristiano Cavalcante entre os piores desempenhos nas redes sociais — o quinto pior do ranking. O dado, por si só, já é revelador. Mas o que chama atenção não é apenas a frieza dos números: é o conjunto de ruídos acumulados ao longo do mandato que ajudam a explicar por que sua comunicação não conecta, não engaja e não convence.
Vivemos uma era em que a política deixou de ser apenas institucional para se tornar também relacional. O eleitor quer diálogo, transparência, presença e coerência. No entanto, as redes sociais do deputado transmitem exatamente o oposto: distanciamento, formalismo excessivo e ausência de interação, observado em seu abraço agressivo e en seu sorriso forçado. Não há conversa, não há escuta, não há conexão. O parlamentar parece falar sozinho — quando fala para reafirmar suas próprias convicções sem dialogismo.
Essa desconexão se agrava pela postura adotada fora do ambiente digital. O deputado é conhecido por evitar entrevistas, não participar de podcasts e manter uma relação conflituosa com a imprensa e quando se apresenta em algum programa de rádio não traduz para os ouvintes a grandeza de um mandado, mas para agredir adversários e, desqualificar quem se opõe.
Em vez de apostar no esclarecimento público e no debate democrático, optou, em episódios recentes, por judicializar a relação com profissionais da comunicação, criando um ambiente de tensão que inibe o contraditório e amplia a percepção de intolerância à crítica.
Some-se a isso episódios que geraram forte repercussão negativa. Em Ilha das Flores, o deputado protagonizou uma cena amplamente criticada ao arremessar dinheiro em praça pública, gesto que, para muitos, simbolizou uma prática populista, inadequada e desrespeitosa, sobretudo em um contexto de desigualdade social. O episódio reverberou mal nas redes e se transformou em símbolo de uma política anacrônica, baseada mais no espetáculo do que no compromisso institucional.
Outro fato é o da,usina Campo Lindo, no qual o deputado causou a impressão de que era o responsável pela reabertura do empreendimento e quando do fechamento das atividades da indústria, foi dizer que não tinha nada a ver com a Campo Lindo; antes era cômodo e proveitoso politicamente atribuir-lhe o título de dono, ou de patrão como ele mesmo se decllarou.
O paradoxo é evidente: embora jovem, Cristiano Cavalcante opera politicamente com uma mentalidade antiga, marcada pelo distanciamento do povo, pela comunicação vertical e por práticas que remetem ao velho coronelismo. Em tempos de redes sociais, essa postura cobra um preço alto. A política mudou, o eleitor mudou, os canais mudaram — e quem se recusa a mudar fica para trás.
O levantamento do IFP não é apenas um ranking de engajamento. É um retrato simbólico de um mandato que parece desconectado do seu tempo. Em um cenário onde presença digital é extensão do mandato, a ausência — ou o uso equivocado da comunicação — se transforma em fraqueza política. E, na política contemporânea, fraqueza comunicacional quase sempre antecede irrelevância pública.
As redes sociais expôem a imagem do agente politico. E esta é a imagem observada pelos navegadores da internet.
"Aquilo que és repercute sobre ti; ecoa tão alto que não dá pra ouvir o qur dizes ao contrário ".
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